junho 25 2018 0Comentário

JOGOS – O LADO MÍSTICO DO FUTEBOL (Parte 3)

A importância sóciopsicológica dos grandes jogos públicos era muito grande: "foi em torno deles que se cristalizaram o sentimento cívico e o sentimento nacional. Foram, para os habitantes de uma mesma cidade, para os filhos de uma mesma raça… o laço que lhes recordava seus interesses comuns, sua origem comum. Tinham suas incidências na vida privada e na vida pública. Alimentavam em todos a idéia de que a educação física deve ser ativada pelo treinamento dos moços nos centros de ginástica; mas eram também, para os membros dispersos de uma mesma família étnica, a ocasião de se reencontrarem na exaltação de um ideal que os distinguia dos bárbaros. Para celebrar esse ideal, calavam-se as rivalidades e ódios que dividiam as cidades" (Devambez, Dicionário da civilização grega).

Durante o período dos jogos, não havia guerra, nem execuções capitais, nem penhora judicial; era a trégua total. Infelizmente, perdeu-se hoje o simbolismo psicológico e espiritual de muitos jogos antigos que ainda são praticados: o pau-de-sebo ou mastro-de-cocanha está ligado aos mitos da conquista do céu; o futebol, à disputa do Globo Solar entre duas fratrias antagonistas; empinar papagaios ou pipas representava, no Extremo Oriente, deixar voar a alma do proprietário, o qual permanecendo, embora, no solo, continuava magicamente ligado a ela pelo fio e podia, através desse elemento de ligação, desfrutar da liberdade que sua alma experimentava. A amarelinha representava provavelmente o labirinto onde o iniciado se perdia no primeiro instante. Todos esses jogos e brincadeiras não deixam de ter, ainda hoje, uma razão de ser; deixaram de ser sagrados mas ainda desempenham papel psicológico e social dos mais importantes como símbolos agonísticos e pedagógicos.

 

Foto | Ilustração que representa os primórdios do futebol

Foto: Reprodução de internet

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